domingo, 24 de julho de 2016

Piolho Residência



CRO, Flávio. Revoada, 2015, montagem de quebra-cabeças de recortes de madeira sobre a parede, dimensões variadas.

O Piolho Residência aconteceu
 de 15 a 24 de julho de 2015, na Galeria Mama Cadela, dirigida pelo artista Gustavo Maia, o espaço há muito abre suas portas para incentivar os jovens artistas da capital Mineira. O final da experiência foi coroado com um grande leilão dos trabalhos no dia 24. Como sempre a irreverência e a critica dominaram, junto a recriação caricatural dos moldes dos grandes leilões de arte; absorvendo esses modelos, mas escrachando-os na paródia do mínimo preço, numa grande confusão entre exposição e festa que se prolongou madrugada afora. Essa atitude de resistência, inspirada no lema punk do "faça você mesmo", assumida pelo Coletivo Piolho Nababo, como nos Lembra Gilbert Daniel (2016), no seu livro que leva o nome do coletivo, trabalhando e criando alternativas com que se que têm ao alcance, fez com que Gilbert destacasse como JP, um dos integrantes do coletivo, as batizava: "lutas quixotescas", pois se travam batalhas "ilusórias", lutando com o que se têm a mão e em pequenos grupos, as vezes sem esperanças até mesmo de pequenas revoluções, mas assumindo uma grande vontade de fazer...

Durante a residência pude desenvolver uma nova fase do meu trabalho Revoada, que foi complementar a exposição: O Caso do Acaso na Galeria Chimera: <http://flaviocro.blogspot.com.br/2015/10/o-caso-do-acaso.html>. Experimentei uma montagem criada com pedaços de madeira, recolhidos das caçambas de entulho de construções, que encontrava no percurso até a galeria, procedimento irmão, mas não gêmeo, ao do artista Alisson Damasceno nesta exibição. A montagem se articulou com o espaço e com os demais trabalhos que foram se acumulando nas paredes durante a residência, formando um grande quebra-cabeças pictórico. No leilão foi leiloada uma das placas de madeira de compunha a instalação.

A grande estrela da noite foi o leilão do Jovem Artista: Arthur Camargos, comprado por Marta Neves e Fernando Cardoso. No final do evento Ed Marte foi agraciado, em grande estilo, com o Prêmio Papagaio do Ano! 


 
Canto do Cro

 Canto do Gilbert


 Canto do Cleverson


 Oferta de si mesmo do Arthur Camargos









Bruna Finelli se deslumbrando com os Cartazes de Thiago Macedo

 Exposição e Grande Público






O leilão capitaneado por DanielToledo e Ed Marte!


A festa se prolongando pelos arredores
Lançamento e indicados do Prêmio Papagaio do Ano!

domingo, 20 de dezembro de 2015

Minerar o Passado



CRO, Flávio. Minerar o Passado, exposição de objetos manipuláveis em aço e pedra sabão (sem títulos), dimensões cúbicas variadas.
Fotografia: Luiz Henrique Grossi
Fonte: acervo do artista.




CRO, Flávio. Minerar o Passado, exposição de objetos manipuláveis em aço e pedra sabão (sem títulos), dimensões cúbicas variadas, vídeo do espaço expositivo, 1'36".
Fonte: acervo do artista.




A pesquisa nasceu em 2006 a partir de uma frase atribuída a Amilcar de Castro, muito proferida durante meu curso pelos professores da Escola Guignard: “original têm a ver com origem...” A frase ecoava na minha mente, me relembrando do Aço de nossas minas com o qual Amilcar solidificou, no espaço, a matéria de sua origem mineira, me fazendo indagar sobre a minha origem e me levando a escavar meu passado em busca do que me define.


Durante essa busca me deparei, numa de minhas viagens para escalar as rochas de Ouro Preto, com uma parte da resposta, a Pedra Sabão, material primordial do nosso barroco mineiro. De posse dessas peças pude perceber que detinha mais uma parte desse quebra cabeça, a Manipulação, esse outro elemento “original”, da mineira Lygia Clark, veio completar minha busca, mas com outro problema: como amalgamar esses elementos de artistas que transcenderam sua relevância, de tamanho peso na história da arte e que foram extenuantemente requisitados em nosso meio? Uma das possíveis respostas foi apresentada nessa exposição.

Dulce Couto, Eu e Fernando Perdigão no final da montagem
Fotografia: Luiz Henrique Grossi
Fonte: acervo do artista.


CRO, Flávio. Minerar o Passado, exposição de objetos manipuláveis em aço e pedra sabão (sem títulos), dimensões cúbicas variadas, espaço expositivo.
Fonte: acervo do artista.

CRO, Flávio. Minerar o Passado, exposição de objetos manipuláveis em aço e pedra sabão (sem títulos), dimensões cúbicas variadas, vídeo do espaço expositivo, 1'23".
Fonte: acervo do artista.

Cartaz da Exposição a partir da leitura de Fernando Perdigão.

CRO, Flávio. Minerar o Passado, vídeo da manipulação, 39"'.
Fonte: acervo do artista.




  





CRO, Flávio. Minerar o Passado, exposição de objetos manipuláveis em aço e pedra sabão (sem títulos), dimensões cúbicas variadas.
Fotografias: Luiz Henrique Grossi
Fonte: acervo do artista.



Minerar o Passado,  livro de assinaturas.
Fonte: acervo do artista.

Minerar o Passado, vídeo da manipulação, 20".
Fonte: acervo do artista.


Minerar o Passado, convite da exposição.

Fonte: acervo do artista.







Catálogo da exposição.
Fonte: acervo do artista.

Os Espaços Expositivos e catálogo também abrigaram a exposição: O Papel dos Bichos de  Onilson Coelho.

Poder compartilhar obras e saberes que se comunicam em determinadas questões, como as diversas possibilidades se se recriar os "bichos", só faz crescer diálogos e potencialidades imaginárias.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

O Caso do Acaso


A Galeria Chimera Cultural apresenta exposição individual de Flávio CRO. 

CRO, Flávio. O Caso do Acaso, 2015, quatro momentos.
Fonte: Acervo do Artista. 
Fotografia: Ricardo Lobato.

Foram apresentadas pinturas da série Revoada, desenhos da série Vivendo de Ar...: http://flaviocro.blogspot.com.br/2011/01/vivendo-de-ar.html e um livro objeto da série Pão Nosso de Cada Dia: http://flaviocro.blogspot.com.br/2012/10/pao-nosso-de-cada-dia.html.



CRO, Flávio. O Caso do Acaso, 2015, panorâmica da exposição
Fonte: Acervo do Artista. 
Fotografia: Marcelo Bambirra.

CRO, Flávio. O Caso do Acaso, 2015, vídeo panorâmico da exposição, 1,13'.
Fonte: Acervo do Artista.

A série Vivendo de Ar... são desenhos, composições dípticas realizadas em volantes e loteria e apostas da Mega Sena que tratam a loteria como uma metáfora. Nas palavras do artista: “Cada desenho é uma aposta, uma chance ilusória de fama e glória. A Mega-Sena é para muitos um sonho de resgate da miséria, de se elevar de onde quer que se esteja. A chance é claro: irrisória; acontece para poucos, muitas vezes escolhidos dentro das trapaças do sistema, para outros não chega para durar, e para a maioria é perseguida ao longo de toda uma vida de escravidão; como crença ela encarna a esperança de um povo, para o qual só não lhe foi negado o direito de sonhar. A loteria é a materialização das ilusões do nosso sistema cultural. Por isso tal trabalho se apropria dessa mesma ficção e se um dia terminar, será quando seu milhão alcançar.”


CRO, Flávio. Vivendo de Ar..., 2010..., work in progress, esferográfica sobre volante de loteria e aposta.



A série Revoada são montagens de quebra-cabeças de pinturas sobre as paredes. Inspirada nos Azulejões, pinturas modulares de Adriana Varejão e na série de gravuras Revoadas de Tales Bedeschi – da qual toma emprestado o título. O trabalho se integra ao espaço absorvendo a arquitetura do local, no qual se instala, imergindo o expectador nesse ambiente. A partir do impacto do encontro com esse outros trabalhos, Flávio CRO começou a imaginar como construiria sua resposta poética, como aceitaria o desafio da pintura contemporânea em relação a tantas propostas sem se perder nessa aquarela. O desafio a que se propôs foi o da releitura e o da apropriação, de técnicas e de temas, para construir sua visão da pintura como um quebra-cabeças contemporâneo, cuja contaminação longe de pressupor um fim, ataca sua pureza para unir práticas e dialogar sobre as diferenças que cada um é capaz de manifestar.


CRO, Flávio. Revoada: Pássaro Borrado, dentre outros..., 2015, esmalte sintético sobre madeira; montagem de quebra-cabeças de pinturas na parede, dimensões variadas.



CRO, Flávio. Revoada, 2015, montagem de quebra-cabeças de madeira na parede, dimensões variadas.

No trabalho Pão Nosso de Cada Dia procura criar algumas associações do seu título com a religiosidade e a ideia de ganhar o pão, vinculando o preço do trabalho ao preço do pão, através da manutenção das etiquetas eletrônicas de preço; a cada vez que o trabalho é exposto ganha mais páginas e a somatória do valor estampado nas etiquetas nos conta seu preço atual.  

CRO, Flávio. Pão Nosso de Cada Dia, 2011 à ..., diário feito com papéis de pão, parafusos, porcas e arruelas; cujo preço é a somatória dos valores impressos nas etiquetas eletrônicas, atualmente: O Caso do Acaso 17/08/2015 = R$1.103,63; anteriores: 4ª Bienal do Livro de BH 20/11/2014 = R$ 967,88; 1ª Ocupação Cultural de Sabará 23/11/2013 = R$ 790,04 Agência Status 18/11/2013 = 788,14; Baú 104 2ªed 16/12/2012 = R$ 227,90; Baú 104 1ª ed 10/2012 = R$ 206,55; 1ª apresentação 2012 = R$ 164,84.

Além das séries acima mencionadas o artista mineiro 
Rafael Perpétuo foi convidado para realizar uma intervenção gastronômica durante abertura da exposição...

PERPÉTUO, Rafael. ?, 2015, pães caseiros coloridos.
Fonte: Acervo do Artista. 
Fotografia: Marcelo Bambirra

Mestrando pela Escola Guignard-ESMU, Pós Graduado e Graduado pela Escola Guignard da UEMG, o trabalho de Flávio CRO transita entre o conceitual e o experimental, muitas vezes fazendo da rua o seu ateliê ou trazendo as suas experiências urbanas para dentro das galerias, faz com que o trabalho se modifique a cada vez que é apresentado, causando um embate dinâmico entre o público, a obra e o espaço expositivo. Com exposições pelo Brasil e exterior, Flávio CRO é um dos novos artistas que contribuí para o fortalecimento da arte mineira.

Texto de Alberto Hermanny


Comemoração pela abertura da exposição e entrada no mestrado.
Fonte: Acervo do Artista. 
Fotografia: Andreza Gomes.














Abertura da exposição.
Fonte: Acervo do Artista. 
Fotografias: Marcelo Bambirra.







Abertura da exposição.
Fonte: Acervo do Artista. 
Fotografias: M Túlio Brant.


















GALERIA CHIMERA CULTURAL



Nome: “O Caso do Acaso”, de Flávio CRO


Período: de 28/08/2015 à 28/09/2015 das 14hs às 20hs

Endereço: Av. Cristóvão Colombo 631

Tel.: (31)9525-8080

E-mail: chimeracultural@outlook.com

https://www.facebook.com/chimerabh

Entrada livre e gratuita (toque a campainha)