sexta-feira, 24 de abril de 2015

Alex Rosa o Inventor de Formas





CRO, Flávio. Revoada: Pássaro Esperança, Arara na Furada, Pássaro de Baile, Pássaro Anu, Pássaro Janela, Pássaro Seleção, Pássaro Esperança, Pássaro Aguado, Pássaro Combinante, Pássaro Combinado, dentre outras, 2014, acrílica e tempera ovo lavadas sobre madeira. Montagem de quebra-cabeças de pinturas na parede, dimensões variadas.


Alex Rosa o inventor de formas

Ouço falar sobre a pintura de Alex Rosa há alguns anos. Rodrigo Naves, Paulo herkenhoff, aguçaram a minha curiosidade. Comecei a pesquisar e a obra dele passou a se descortinar e a me encantar. Entendi por que os que o conheceram admiravam o seu trabalho. Apreciado por figuras emblemáticas do colecionismo mineiro, vinha sendo mantido no conhecimento local. A arte ainda é regional!

Frequentando Belo Horizonte, fiz contato com os colecionadores com o objetivo de conhecer melhor o vasto universo pictórico de Alex Rosa. Foi crescendo em mim a vontade de mostrá-lo em Belo Horizonte. Propus a vários colecionadores uma parceria para a exposição. Eles mostraram-se herméticos. Percebi o ciúme que, como colecionador, entendo perfeitamente. Propus comprar, mas eles também não queriam vender caro... Mas eu pus na cabeça que faria a exposição e passei a buscar o que existia disponível nas ruas para formar uma massa que permitisse mostrar minimamente o universo pictórico do artista.

Comprei em leilões, em coleções particulares, movimentei o que pude o mercado de BH, acreditando e objetivando a mostra, até que ela tornou-se realidade. Um dia, já com vários trabalhos no acervo, mostrei para Desali da Galeria independente Piolho Nababo. Ele não conhecia, mas de cara entusiasmou-se. Convidei-o para ser o curador e o projeto, para minha alegria, começou a andar, adquirindo uma grandeza ainda maior envolvendo diversos artistas locais . De lá para cá não nos cansamos de olhar, analisar e apreciar, e quanto mais olhamos, mais gostamos.

Esta exposição não pretende ser definitiva. Ela é uma relação conceitual das obras de Alex Rosa com esses grandes artistas mineiros: Mario Rufino, Marcone Marques, Flavio CRO, Tenesmo, Guilherme Bita, Manuel Carvalho, Barbara Damasi, Randolpho Lamonier, e bill com o suposto afinco desses artistas, cuja as obras precisam revelar o que a de melhor nesse circuito chamado “mercado de arte”.

Declaro-me feliz!

Joseph vagin

Critico, curador, artista, diretor de arte, doutorando na University of Art, Londres, recentemente organiza a exposição, galeria aberta Willian Rosa. É autor do livro “O Valor da obra a partir de 1,99 e suas ramificações no pôs- contemporâneo”.














Corredores da exposição Alex Rosa o Inventor de Formas na Galeria Chimera Cultural

A Galeria Chimera, dirigida pelo colecionador e pesquisador Alberto Hermanny, vêm a um ano realizando mostras, muitas delas, com artistas do cenário underground de Belo Horizonte, e fazendo a ponte entre essas propostas, muitas vezes, alternativas, com a galeria de arte, proporcionando o diálogo e o embate de ideias entre propostas que a primeira vista são conflitantes. Essa contradição, entre as novas propostas e as velhas formas, num mundo no qual as intervenções urbanas e novas práticas pareciam ter decretado o fim das instituições, mostram que os espaços como o museu, galeria, etc. ainda não tiveram seu laudo de morte decretado, assinado e datado, mas que, assim como a pintura - tantas vezes assassinada em nossa história -, se libertaram da escravidão dos modelos tradicionais, possibilitando o abrigo de novas leituras que redefinem suas funções, tornando-as mais dinâmicas, flexíveis e conectadas com a produção atual, ou seja as re-significando como espaço de experimentação contemporânea. Esse "fim", essa "morte" histórica, como Danto tanto nos lembra, deve ser encarado como o desfaio da libertação, nunca total é claro, mas mesmo que limitada dentro das possibilidades em que vivemos, ainda assim nos possibilitam um universo de conexões múltiplas prontas para serem re-imaginadas no nosso turbilhão de histórias cruzadas. 


Flávio CRO















Noite de abertura da exposição. 







Presenças marcantes na montagem da exposição.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

PERFORMAMA


CRO, Flávio. Pão Nosso de Cada Dia. 2014, ação de distribuição de 33 "hóstias" embrulhadas em papel e distribuídas para os presentes, que as aceitaram, após a entoação da frase: "pão nosso de cada dia". 
A ação se estendeu até que as "hóstias" se extinguiram. 


A 1ª noite de performances da Galeria Mama/Cadela: PERFORMAMA, que ocorreu  em 14/11/2014, por iniciativa de Gustavo Maia e Marci Silva - que estão a frente do da galeria - paralelamente a exposição Empate de Manuel Carvalho - a 1ª após uma saudosa hibernação - marcou essa nova fase desse espaço cultural singular de Belo Horizonte conhecido por suas festas e exposições bombásticas dos jovens artistas da capital mineira. 



Através dessa proposta de ativar uma multiplicidade de eventos, conectando diversos artistas e abrindo o diálogo entre as linguagens, a galeria aposta na dinâmica e no potencial de atração que essa abundância de atores carrega para ativar e insuflar o fôlego da vida em seus eventos, deixando de serem exposições estáticas, que só recebem o observador,  para se tornarem exposições agentes, que agem através desse movimento pendular de retorno do público e de artistas, para recriar a percepção das obras por meio dessa contaminação de suas ações com o ambiente.



A noite teve ações como Grama de Efe Godoy, na qual o artista performa um enorme rei pássaro solitário, que, como numa fábula, transforma toda essa casa em seu ninho de arte e os observadores em seus súditos atentos. Diego Reis entra em meditação debaixo da chuva e traz para a galeria toda a aura de força e transcendência de um faquir indiano. Em Purificação Priscila Rezende oferece seu corpo negro e nu como uma tela e se submete as imposições de palavras dos outros pintadas sobre ela, para depois se purificar lavando-se sob as águas da chuva. Durante a ação Faces (estendida) de Bárbara Avelino, a artista nos mostra os exageros da busca obsessiva pela beleza, sobrepondo camadas e mais camadas sobre seu rosto, até que este se deforma tornando-se uma massa irreconhecível em frente ao espelho e espectadores, enquanto a artista continua perdida em sua busca pela perfeição... A minha contribuição foi com uma ação que é um desdobramento da minha proposta Pão Nosso de Cada Dia: http://flaviocro.blogspot.com.br/2012/10/pao-nosso-de-cada-dia.html - na qual realizo uma paródia de um artista puro, ao distribuir "hóstias" para o público - moedas de R$ 1,00 embrulhadas - confundindo e mesclando os papéis do colecionador ao do espectador e invertendo a lógica do ganhar o pão com meu trabalho, ao mesmo tempo em que exponho as dificuldades dessa relações na arte. 
















CRO, Flávio. Pão Nosso de Cada Dia. 2014, ação de distribuição de 33 "hóstias" embrulhadas em papel e distribuídas para os presentes, que as aceitaram, após a entoação da frase: "pão nosso de cada dia". 
A ação se estendeu até que as "hóstias" se extinguiram. 



Diego Reis durante sua ação.






Ação Grama de Efe Godoy








Ação Purificação de Priscila Rezende.

Ação Faces(estendida) de Bárbara Avelino.





Pelo espaço da Galeria Mama / Cadela