sábado, 22 de maio de 2010

Diáspora Negra: resistência e ousadia

A convite de Sebastião Miguel participei da exposição Diáspora Negra: Resistência e Uusadia; realizada na Casa de Câmara e Cadeia em Mariana MG.

O trabalho construído para a mostra, tentava refletir sobre a condição passada e presente imposta ao negro.



CRO, Flávio. Sem Título, 2007, técnica mista, coleção privada.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Exposição 10 - Galeria da CEMIG - diário DA AULA

A resposta gráfica do papel ao gesto do artista também foi o meio escolhido por FLÁVIO para o seu “Diário DA AULA” - registros em folhas soltas, depositados em caixa transparente, em que cada uma de suas páginas em papel laminado, verso e reverso, trazem um curioso diário de aulas da disciplina “Desenho de Criação”. Na face prata, os relevos conseguidos pela pressão do lápis no verso da folha, táteis como escrita em Braille, convidam a quem manipula tais folhas a interagir, tanto com as sensações perceptíveis às pontas dos dedos e aos olhos, como com o próprio vulto espelhado, despertando daí um desejo de decodificar esses registros. Para isso, a ordem de leitura é aleatória, permitindo que cada visitante componha uma leitura pessoal da obra.

Sandra Bianchi
Curadora da mostra.

A mostra "10" aconteceu em outubro de 2007 na galeria da CEMIG, e contou com a participação de:

Alessandro Lima de Menezes; Alexandre Rodrigues; Cícero Miranda; Daniel Herthel; Flávio C. R. O.; Josana Matedi; Luiz Fernandos; Margarida Lima de Campos; Paulo Nazareth; Tereza Moura


CRO, Flávio. Diário DA AULA, 2007, técnica mista sobre laminado prata, 10 x 35 x 30cm, coleção privada.
Fotografia: Luiz Henrique Vieira.


CRO, Flávio. Diário DA AULA, 2007, técnica mista sobre laminado prata, 10 x 35 x 30cm, coleção privada.
Fotografia: Luiz Henrique Vieira.


CRO, Flávio. Diário DA AULA, 2007, técnica mista sobre laminado prata, 10 x 35 x 30cm, coleção privada.
Fotografia: Luiz Henrique Vieira.

Como forma de garantir sua leitura e constituição em um diário-objeto, foi construída uma caixa em acrílico transparente, um “mausoléu” no qual as páginas do diário são mantidas, sendo que as paredes guardam e revelam o que está em seu interior, aguçando a curiosidade de quem o observa, e sua vontade de descobrir as páginas que ali se encontram, mas também afirmando uma característica de proteção, frieza e beleza, quase dizendo: não me toque! Pois ali jaz algo precioso e “morto” ao contato físico. Dentro desta caixa as folhas do diário permanecem soltas, sem costuras que as liguem ou garantam uma ordem, deixando a cargo dos observadores a possibilidade de ordená-las como queiram, também possibilitam que se aproximem das páginas o quanto desejarem o que facilita sua inserção e re-interpretação do trabalho, além de trabalhar o lado sensorial através do toque no relevo. A inserção das imagens do espectador-leitor garantem-no como foco de interesse, além de deixarem entrar cor e vida, retirando do trabalho um pouco da frieza e do distanciamento que seu material e seu envoltório em acrílico proporcionam.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

O Projeto Redundantes

Durante as oficinas do Projeto Território Museu Mineiro, já estudando fotografia com o professor Tibério França, e tendo o Professor Sebastião Miguel como orientador na Escola Guignard, consegui elaborar uma proposta de internvenção urbana, e acompanhá-la de uma proposta fotográfica, que me apontasse alguma soluções para as questões documentais que me incomodavam. Nesse contexto o Projeto Redundantes surgiu como probabilidade a essas questões: Como registrar uma ação sem que seu registro remeta ao mero índice? Será que ela deveria ser registrada para existir ou deveria ser apenas vivida naquele instante? Qual a validade desse documento se ele se tornar apenas a validação para sua comercialização?





redundância: 1 x 1 - fotografia digital - 7 x 6cm


O projeto “redundantes” surgiu junto a alguns interesses anteriores e à leitura do livro “Não-Lugares” de Marc Augé, no qual discute a nova antropologia e a nova história, nos seus interesses pelo micro universo, e pelos pontos de encontro e passagem do homem como novo foco de estudo e discussões. Outra leitura de grande influência foi o livro “Arte Contemporânea” de Anne Cauquelin, no qual assinala, em uma passagem, a redundância na arte e aponta a comunicação como sendo vital para a Sociedade de Informação na qual vivemos.

Repetição, troca, associação e inserção são algumas das questões trabalhadas dentro desta proposta.

O projeto se constitui como um diálogo, entre um trabalho, “redundância: informação”, consistindo da colagem de pequenos e (quase) quadrados de papel laminado prateados, com tamanho 6 x 7cm, nos telefones públicos de Belo Horizonte, que se encontram nos caminhos pelos quais passo com freqüência, e um fotográfico, “redundância: 1 x 1”, realizado no formato de fotografias digitais, não do processo de colagem em si – seu tema visual direto são os orelhões - mas que garantissem às fotografias uma carga estética própria, permitindo as propostas atuarem de forma dinâmica, não sendo este último trabalho um simples registro da presença de uma ação urbana. De forma a garantir essa distinção, me decidi desde o início da colagem, acompanhá-la com tal proposta fotográfica. Dotando-os de linguagem própria, independente, mas garantindo sua comunicação espero alargar seu campo de discussão e proporcionar novas leituras.

O Projeto fotográfico ainda esta velado, aguardando pelo seu sítio específico.



redundância: 1 x 1 - fotografia digital - 7 x 6cm




laminado colado aos orelhões - 7 x 6cm - 2007

terça-feira, 11 de maio de 2010

Projeto território Museu Mineiro 2007


O projeto Território Museu Mineiro 2007 reuniu dez artistas: Ariel Ferreira, Camila Gomes, Flávio C. R. O., Luiz Henrique Vieira, Marcela Yoko, Pedro Veneroso, Roberto Andrés, Rosa Araújo, Tales Bedeschi, Walter Trindade, coordenados por Cinthia Marcelle e Laís Myrrha, numa oficina que propunha um dialogo com o acervo do Museu Mineiro, numa leitura crítica do mesmo. Foi apresentado como quatro trabalhos, exibidos com espaçamento de duas semanas, e com uma inauguração individual de cada um. Numa solução a pergunta: como fazer o público retornar ao museu?

Uma das propostas iniciais foi a manutenção de um diário, no qual cada um registrasse suas impressões artísticas no período.

Abaixo algumas imagens do diário que mantive durante a oficina.






CRO, Flávio. Diário do Projeto Território Museu Mineiro, 2007, técnica mista, sob guarda do Museu Mineiro.


Como propostas finais: 


A Reserva I que tomou conta da Sala das Sessões. Como forma de velar para mostrar, retiramos as cortinas que tampam as janelas das periferias da sala e as deslocamos para a frente dos quadros expostos no centro desta. Repentinamente o que esta fora se torna presente dentro desse espaço hermético do museu, suas janelas antes cobertas, se abrem à possibilidade da paisagem exterior. Seus quadros, antes material central, são agora periféricos, pedem uma aproximação, pedem não que sejam vistos, mas espiados.






CRO, Flávio; et al. Reserva I, Projeto Território Museu Mineiro, 2007, instalação/deslocamento das persianas das janelas para a frente dos trabalhos.
Fotografias: Daniel Mansur.

Bastidores


Ana Maria Miguel



Oficineiros e Produção; foto: Luiz Henrique Vieira




Luiz Henrique Vieira; Foto: Flávio C. R. O.




foto: Luiz Henrique Vieira


O que esperar de uma lente e alguém para apertar o botão?

fotografias: Luiz Henrique Vieira.


Na Reserva II, que teve como foco a Sala do Colecionador, foram colados 6.000 post-its em 3 faces da vitrine de uma estátua de São Miguel Arcanjo; em cada um dos post-its haviam frases e/ou desenhos retirados de uma tese de mestrado sobre a peça, defendida pela restauradora do Museu Mineiro. Desvelar para ver, deixar a luz criar desenhos, a cor nos hipnotizar. Utilizando-nos de uma sutileza presente na estratégia dá primeira reserva, passamos aqui para a apropriação, para a colagem, para a cor, a impregnação, a participação ativa, a redundância. Não só se aproximar, nem somente espiar, mas colecionar.








CRO, Flávio; et al. Reserva II, Projeto Território Museu Mineiro, 2007,
desenho e texto sobre 6.000 post its colados à vitrine de exposição.
Fotografias: Daniel Mansur.



Da série: Celebrando no Espaço - foto: Luiz Henrique Vieira


A Reserva III consistiu na substituição de todas obras expostas, na Coleção Arquivo Público, por caixas de MDF que conservavam as mesmas proporções dos trabalhos expostos nas vitrines. A uniformização dos trabalhos num único material e a substituição dos mesmos por suas supostas caixas, cria um deslocamento de valores, que lida com os conceitos prévio de valor do público que frequenta o museu. Ele agora é convidado a requerer em sua imaginação os complementos daquelas vitrines, ou a revalorizar o que protege a arte, como arte.




















CRO, Flávio; et al. Reserva III,2007, instalação de caixotes de MDF no lugar dos trabalhos expostos na vitrine,  Museu Mineiro.
Fotografia: Daniel Mansur.

Durante os intervalos Luiz Henrique nos reconstruía num ensaio fotográfico.


Luiz e Ariel



Walter e Luiz




Luiz e Cinthia



Pedro e Luiz



Luiz e Tales


A Reserva IV foi realizada na sala de Arte Sacra, na qual foram instalados sensores de presença e uma película de espelho duplo, quando alguém se aproximava os sensores apagavam as luzes internas das vitrines, deixando-as espelhadas, gerando um misto de frustração, ao interromper sua visão, e surpresa, ao transportar a imagem do observador para as vitrines de exposição, invertendo as posições de espectador e obra.












































CRO, Flávio; et al. Reserva IV, Projeto Território Museu Mineiro, 2007, instalação de filme reflexivo, sensível a luz, nas vitirnes.
Fotografia: Daniel Mansur.

Diga!



A dúvida do registro persiste, mas a ação se reorganiza em Diga! Juntei um carrinho de supermercado, um microfone e uma caixa de som; levei-os até a Praça 7, coração arterial de Belo Horizonte, deixando esse microfone aberto a qualquer um que quisesse nele se manifestar, cada manifesto se referindo apenas as vontades de cada um. Cada qual, a sua maneira, nos deixa um lastro de sua cultura, quais desejos lhe arrebatam a boca e são transformados em ondas? Talvez tal encontro gerasse uma pequena modificação, mesmo que momentânea, pontual ou pessoal.


CRO, Flávio. Diga!, 2007, intervenção urbana com carrinho de supermercado, microfone e caixa de som. 

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Uma pausa



No começo de 2007 realizei a série AoToa, que se constituiu em desenhos que eram executados nos meus momentos de ócio. A pesquisa começou com rabiscos, de esferográfica, livres em tiras de papel, em formato de "L", que sobravam nos cortes das folhas A1. Na medida em que a série foi se desdobrando as formas geométricas acabaram me prendendo obsessivamente.



O desenho pelo desenho tomou conta, meu procedimento era simplesmente sentar-me no sofá, em frente à televisão, e começar a desenhar, sem dar atenção ao que ocorria na caixa mágica. O término da série, também finalizou minha era TV, pois nunca mais consegui sentar em frente a um desses aparelhos, para passivamente receber o que nele não me creditava ao ser.



CRO, Flávio. AoToa, 2007, desenho com esferográfica sobre tiras em L de papel, dimensões variadas.

CRO, Flávio. AoToa, 2007, desenho com esferográfica sobre tiras em L de papel, dimensões variadas.

CRO, Flávio. AoToa, 2007, desenho com esferográfica sobre tiras em L de papel, dimensões variadas.


2006



Em 2006 participei da instalação Arca Muriliana, pertencente a exposição Muriliana, em comemoração aos 100 anos de Murilo Rubião, foi a primeira vez que pude expor um trabalho no palácio das artes. O trabalho em si foi baseado nas questões abaixo e inspirado como um dos "bichos" de Murilo Rubião, remetendo também aos bichos de Lygia Clark.


Nessa experimentação escultórica surgiu um interesse pela história da escultura mineira, assim, comecei uma pesquisa sobre elementos do passado barroco e moderno, além do contemporâneo, propondo uma solução escultórica através da colagem de elementos como a pedra sabão, o aço e possibilidade de manipulação da interação entre essas partes por aqueles que a possuíssem.


CRO, Flávio. Sem Título, 2006, objeto escultórico em aço e pedra sabão, 13 cm³.



Além das pesquisas acima pude experimentar as gravuras e a pintura.


CRO, Flávio. Sem Título, 2006, pintura, acrílica sobre tela, 60 x 40 cm.


CRO, Flávio. Sem Título, 2006, pintura, acrílica sobre tela, 70 x 50 cm.


CRO, Flávio. O Pássaro, 2006, pintura, têmpera sobre MDF, 30 x 21cm.

CRO, Flávio. Pássaro Encordado, 2006, pintura, têmpera sobre MDF, 30 x 21cm.


CRO, Flávio. Sem Título, 2006, xilo em relevo, A3.

CRO, Flávio. Sem Título, 2006, xilo em relevo, A3.


CRO, Flávio. Sem Título, 2006, ponta seca, 29 x 19 cm.

sábado, 1 de maio de 2010

De Apropriar a Intervir há um a



O ano de 2006 começou com uma ação, irônica por sinal. Percorrendo o caminho da minha casa até a Escola Guignard, passando pela Av. Bandeirantes, distribuo camisinhas, ou pelo menos chocolates disfarçados como tal. A reação das pessoas, em sua maioria, era de espanto; um tema que remete ao sexo assim, na rua, de forma tão casual; depois era de riso, caso descobrissem... Questões, que ainda permanecem, foram despertadas durante o processo: como registrar uma ação de forma que seu registro se expanda? Será que ela deveria ser registrada como forma de comprovar sua existência, ou deveria ser apenas vivida naquele instante? Qual a validade desse documento caso ele se torne apenas uma forma de comprovação da ação, ou uma forma para sua comercialização? Decidi por não registrá-la deixando a sua existência a cargo da memória, ou por prova física de quem guardou um pedaço de sua história.



Durante o ano de 2006 aconteceu em BH o evento Cow Parade, extremamente criticado por ser a mais comercial dentre todas as intervenções urbanas. Me aproveitando desse contexto realizei a intervenção urbana: Milkneide a Vaquinha que Thanks God! Não Foi a Cow Parade! Em: Milkneide in tha Tree! Constituindo-se num carimbo com um desenho de uma vaca, com o qual carimbei diversos papéis de pão, depois esses papéis foram grampeados nas árvores que encontrava durante meu deambular pela cidade. As questões de território, do vagar na cidade e anteriores, etc., continuavam, mas ainda não tinha resposta para as que realmente me incomodavam. Então deixei sua existência a cargo daqueles que a recolheram para si...



CRO, Flávio. Proteja-se!, 2006, ação urbana, distribuição de camisinhas de chocolate. 


CRO, Flávio. Milkneide a Vaquinha que Thanks God! Não Foi a Cow Parade! Em: Milkneide in tha Tree!, 2006, intervenção urbana, papéis de pão carimbados e grampeados à árvores, dimensões variadas.