quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Duas Faces da Arte: Poemas e Telas - Cler de Veloix e Mami CRO


Cler de Veloix; Mami CRO. Sem Título. 2016, técnica mista, dimensões variadas. 

A exposição Duas Faces da Arte: Poemas e Telas de Cler de Veloix e Mami CRO, ocorreu no Centro Cultural Padre Eustáquio, em Belo Horizonte, MG.

A noite de abertura do dia 8 de novembro de 2016, reuniu pela primeira vez o trabalho das duas artistas. Cler de Veloix poeta já com muita experiência exposta em publicações, festivais e concursos se juntou a Mami CRO, artista que em sua primeira exposição abre ao publico o resultado do seu aprendizado na Escola Livre de Arte da Arena da Cultura

Na noite de abertura o público se deparou com algo peculiar durante seu encontro com o fato de que, Cler de Veloix e Mami CRO são pseudônimos da artista Célia Maria Barbosa Rodrigues. Os alter egos criados através da apropriação do nome do seu primeiro marido: Felix Velois e do seu filho, o artista Flávio CRO, demonstraram uma capacidade de recriar sua própria história junto a de outros, nessas colagens que ironizam os limites da construção do nosso eu, que esbarra sempre na construção do outro e pelo outro, na forma como nos vemos, como nos mostramos e como somos lembrados.  

Durante a abertura as declamações das poesias tornavam essa ação uma performance com a qual a poeta insuflava seus sentimentos nas linhas declamadas, resgatando essas palavras da literalidade do texto. Já as misturas poéticas entre o texto e a imagem ocasionaram um amálgama que transformou as memórias em uma coleção kitsch, remetendo ao brilho e destaque com os quais elegemos e "douramos" aquilo que nos afeta. 














  Cler de Veloix durante as declamações par o público. Na foto imediatamente acima, Marconi Marques apreciando as palavras da pupila.


















Cler de Veloix; Mami CRO. Sem Título. 2016, técnica mista, dimensões variadas. 




Declamações do público e serenata!

Carregando as homenagens ao estilo de Paulo Nazareth.

Ganhando os Parabéns de Andreia Torres

Mimos dos fãs.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

O Vigia/Watchman


Figura 1 e 2: 

Figura 1 e 2:
CRO, Flávio. O Vigia/Watchman. 2016, ready-made com relógio da marca Citzen e caixa.
10 x 6 x 20 cm (caixa aberta)
Fonte: Acervo do Artista.

O título do trabalho: 
O Vigia/Watchman, foi construído como um jogo de palavras que articula diversos termos e significados como vigia ou vigilante em português e em inglês (watchman), que quando decomposto forma relógio em inglês (watch) e homem (man), dando a entender uma outra forma, a de “homem do tempo” que também significa vigia ou vigilante; além da palavra (citzen), estampada na caixa, que pode ser traduzida como cidadão em português, mas que também é apropriada pela marca do fabricante do relógio, como seu nome.

A associação dessas palavras, como num quebra-cabeças, pode gerar as mais variadas leituras, como por exemplo: O cidadão (citzen) é aquele que possui o tempo em suas mãos, a marca lhe vende o tempo, para que possa usá-lo, ou, pelo menos, medir seu uso. Watchman, também lembra “Watchmen”, título do quadrinho de Alan Moore e Dave Gibbons de 1986, no qual a necessidade de vigilantes/heróis, de protetores ou cuidadores, para vigiar e punir os cidadãos/citzens, tomados como vilões é contestada em uma série de protestos, sintetizados nas pichações: quem vigia os vigilantes? (who watches the watchmen?). 

Figura 3

Figura 3: Fotografia da página 58 do quadrinho Watchmen, na qual aparece a pichação em português.
Fonte: acervo do artista.

Figura 4


Figura 4: Fotografia de uma da página do quadrinho Watchmen, na qual aparece a pichação em inglês.
comics/ >; acessado em 03/06/2016.
1986 é um data muito próxima a 1984, data que nomeia o romance de George Orwell, no qual ele apresenta um grande vilão: o Big Brother (Grande Irmão ou Irmão mais Velho), que soa como o intuito da proteção do familiar, mas atua como símbolo máximo da sociedade de controle da qual nada pode escapar aos seus olhos vigilantes. Para tornar essas relações mais visuais, apresento um dos cartazes do filme no qual aparece a frase: “big brother is watching you”.

Figura 5
Figura 5: Cartaz do filme 1984 de George Orwell.
Fonte:< https://pt.wikipedia.org/wiki/Grande_Irm%C3%A3o >; acessado em 03/06/2016

Watches, Watching, Watch… A pichação que aparece nas páginas dos quadrinhos de Watcmen segundo o que consta no verbete da Wikipedia, é uma tradução retirada de uma sátira de Juvenal a qual seria uma tradução do latin: "Quis custodiet ipsos custodes", além de apontar que a pichação extrapola tais páginas aparecendo nos muros de diversas cidades; o que podemos entender como um desejo de um poder maior que vigie os vigilantes. No caso dos quadrinhos, esses “heróis” superpoderosos, alguns super-humanos, respondiam ao Estado… Observando no trabalho a palavra “citzen” (cidadão), aparece estampada na caixa que pode ser facilmente fechada, cobrindo então o poder do “vigilante do tempo”. A proposta parece supor que é o cidadão quem deve exercer esse controle sobre o vigilante, cobrindo-o com o seu poder…

Figura 6 
Figura 6: Pichação anônima nas Ruas. 
Fonte:< https://pt.wikipedia.org/wiki/Watchmen >; acessado em 03/06/2016.

Não vou entrar na possibilidade de anestesiação desse poder do cidadão, através da manipulação do desejo voierístico da população por um série de televisão que herda o nome do vilão de Orwell, pois seria alongar demais. Mas vou relacionar o quanto os trabalhos e as relações suscitadas pelo mesmos parecem ter bebido de uma fonte: Vigiar e Punir, de FOUCAULT (1987), uma vez que nesta obra a análise do controle exercido pelo poder, faz crer que se distancia cada vez mais dos corpos encarcerados, cujo tempo foi roubado, para se aproximar da imagem, da alma, daquilo que informa o próprio Eu do cidadão ou seja para o controle da informação. Uma vez que o domínio sobre ela poderá significar o poder sobre a criação e/ou reconstrução dos corpos através da manipulação dessa informação…

Mas o relógio do trabalho está parado, um relógio parado perdeu a sua função de vigilante do tempo, não pode mais nos vender a noção de tempo, pois ela cessou… Uma vez parado, desfuncionalizado ele só ostenta a sua característica de adorno, de enfeite, de joia… Um objeto sem função pode então assumir a forma de objeto de arte… Pode-se pensar que agora esse vigia do tempo está “Fora do Tempo”, tomando emprestado as palavras de AGAMBEN (2009), uma vez que se recusa a sua função de medir o tempo, está livre para articular diversos momentos no “presente”.

Segundo CAUQUELIN (2011), o tempo é um dos componentes essenciais para entendermos as práticas contemporâneas que visam o processo em relação ao produto. Assim trabalhos que lidam com a noção de passagem do tempo, ao se recusarem a apresentar um objeto único e estático, atentam para um fato que passou despercebido, que toda obra é resultado de um processo de construção. Não se trata de atestar a supremacia do processo em relação ao objeto final, mas somente de demonstrar, que assim como toda obra é interativa, relacional, etc.; o processo também consta como uma das essências de uma obra, seja ele físico ou mental. Nesse sentido podemos recrutar o conceito de GROYS (2010), daqueles que são contemporâneos como sendo “camaradas do tempo”, atuando como uma espécie de colaboradores dessa arte do tempo ou processual. Assim o vigia do tempo pode ser apontado, também, como alguém que colabora com o tempo, que o documenta, que mostra que, em essência, todos os processos se conectam nele, mesmo quando não têm mais função de precisá-lo…

Referências


AGAMBEN, Giorgio. O que é o contemporâneo? e outros ensaios. Chapecó: Argos, 2009.



CAUQUELIN, Anne. No Ângulo dos Mundos Possíveis. São Paulo: Martins Fontes, 2011.


FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 1987.


GIBBONS, Dave; MOORE, Alan. Watchmen, São Paulo: Panini, 2009.

GROYS, Boris. Camaradas do tempo. In: Caderno SESC videoBrasil, vol.6. São Paulo: Edições SESC SP: Associação Cultural Vídeobrasil, 2010.

MIRANDELO. Watchmen the Superhero Comic to end Superhero. Disponível em: <https://mirandalello.wordpress.com/2014/06/19/watchmen-the-superhero-comic-to-end-superhero-comics/ >. Acesso em 3 de junho de 2016.

WIKIPEDIA. O Grande Irmão. Disponível em: 
<https://pt.wikipedia.org/wiki/Grande_Irm%C3%A3o>. Acesso em 3 de junho de 2016.

WIKIPEDIA. Watchmen. Disponível em: . Acesso em 3 de junho de 2016.








terça-feira, 4 de outubro de 2016

Revoada



CRO, Flávio. Revoada, 2016, montagem de quebra-cabeças de pinturas e madeira na parede, dimensões variadas.
Fotografia: Crys Jardim
Fonte: acervo do artista



A exposição Revoada consistiu em montagens de quebra-cabeças de pinturas sobre as paredes, construídos com madeiras e tintas de canteiros de obras e dos ateliês de outros artistas. Inspirado nos recortes dos muros de escalada a partir das primeiras doações feitas pelo amigo escalador Alexis Loireau, nos Azulejões, pinturas modulares de Adriana Varejão e na série de gravuras Revoadas de Tales Bedeschi – da qual toma emprestado o título. O trabalho se integra ao espaço absorvendo a arquitetura do local, no qual se instala, imergindo o expectador nesse ambiente. A partir do impacto do encontro com esses outros trabalhos, Flávio CRO começou a imaginar como construiria sua resposta poética, como aceitaria o desafio da pintura contemporânea em relação a tantas propostas sem se perder nessa aquarela. O desafio a que se propôs foi o da releitura e o da apropriação, de técnicas e de temas, para construir sua visão da pintura como um quebra-cabeças contemporâneo, cuja contaminação longe de pressupor um fim, ataca sua pureza para unir práticas e dialogar sobre as diferenças que cada um é capaz de manifestar.


Foi a primeira mostra individual dessa série de pinturas que são como um quebra-cabeças pictórico.

Noemi Assumpção foi a convidada para realizar uma intervenção gastronômica durante a abertura da Mostra!

Montagem: Shima e César
Local: Aliança Francesa - BH 
R. Tomé de Souza, 1418 
Savassi, Belo Horizonte - MG, 

Data: Coquetel de abertura dia 20/07/2016 das 19h as 22h

Exposição de 20/07 a 10/08/2016 




CRO, Flávio. Revoada, 2016, montagem de quebra-cabeças de pinturas e madeira na parede, dimensões variadas.
Fotografia: Crys Jardim
Fonte: acervo do artista



CRO, Flávio. Revoada, 2016, montagem de quebra-cabeças de pinturas e madeira na parede, dimensões variadas. (detalhe da montagem)
Fotografia: Shima
Fonte: acervo do artista




CRO, Flávio. Revoada, 2016, montagem de quebra-cabeças de pinturas e madeira na parede, dimensões variadas. (panorâmica da exposição)

 Intervenção Gastronômica elaborada pela Noemi Assumpção: Putinhas servidas com Calcinhas de Nylon.













A recepção da exposição e a dúvida: comer as putinhas com ou sem calcinha?














CRO, Flávio. Revoada, 2016, montagem de quebra-cabeças de pinturas e madeira na parede, dimensões variadas.
(detalhes da instalação no espaço expositivo)

Público e Obra.


Degustando o buffet que seguiu a linha da exposição criando drinks e pratos através do reaproveitamento das sobras e materiais utilizados na cozinha.

.Livro de Assinaturas e texto do trabalho

Catálogo da Exposição




 Matérias sobre a Exposição